FREUD, S. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud – Volume 2: Estudos sobre a histeria. Rio de Janeiro: Imago, 1974.

“Na realidade, talvez seja errado dizer que a histeria cria essas sensações através da simbolização. Talvez ela não tome absolutamente o uso da língua como seu modelo, mas que tanto a histeria, como o uso da língua, extraiam seu material de uma fonte comum” (p. 231).

 

FREUD, S. A interpretação dos sonhos (1900). In: ______. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Volume 5. Rio de Janeiro: Imago, 1977.

“Por exemplo, de acordo com Ferenczi [ver Rank, 1912 a, 100], um navio movimentando-se na água aparece em sonhos de estímulo vesical entre pessoas de nacionalidade húngara, embora o termo ‘schiffen’ [‘to ship’ enviar por navio); conf. O inglês vulgar ‘to pumpship’ (urinar) seja desconhecido naquela língua. (…) Nos sonhos de pessoas de língua francesa e de outras línguas romanas um quarto é utilizado para simbolizar uma mulher, embora essas línguas nada tenham de afim com a expressão alemã ‘Frauenzimmer’ (quarto de mulher).” (p. 375 nota 2)

 

FREUD, S. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud – Volume 9: Gradiva de Jensen e outros trabalhos. Rio de Janeiro: Imago, 1996. v. 9. 259 p.

“Mostrei que o responsável por um lapso de língua não é o acaso, nem a semelhança no som, nem uma simples dificuldade de articulação, mas que em todos os casos podemos descobrir um conteúdo ideativo perturbador, isto é, um complexo, que alterou o sentido da fala intencionada sob a forma aparente de um lapso de língua” (p.107).

 

FREUD, S. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud – Volume 11: Cinco lições de psicanálise, Leonardo da Vinci e outros trabalhos. Rio de Janeiro: Imago, 1970.

Primeira Lição

“Havia-se notado que nos estados de ‘absense’ (alteração de personalidade acompanhada de confusão, costumava a doente murmurar algumas palavras que pareciam relacionar-se com aquilo que lhe ocupava o pensamento. O médico, que anotara essas palavras, colocou a moça numa espécie de hipnose e repetiu-as, para incitá-la a associar ideias. A paciente entrou, assim, a reproduzir diante do médico as criações psíquicas que a tinham dominado nos estados de ‘absence’ e que se haviam traído naquelas palavras isoladas. (…) É forçoso reconhecer que a alteração psíquica manifestada durante as ‘absences’ era consequência da excitação proveniente dessas fantasias intensamente afetivas. A própria paciente que nesse período da moléstia só falava e entendia inglês, deu a esse novo gênero de tratamento o nome de ‘talking cure’ (cura pela conversação), qualificando-o também, por gracejo, ‘chimney sweeping’ (limpeza da chaminé)” (p.15-16).

Segunda Lição

“Durante o tempo em que a doente de Breuer esquecera a língua materna e outros idiomas exceto o inglês, era tal a facilidade com que falava esse último, que chegava a ponto de ser capaz, diante de um livro de alemão, de traduzi-lo à primeira vista, perfeita e corretamente” (p. 24).

A Significação antitética das palavras primitivas

“E nós psiquiatras não podemos escapar à suspeita de que melhor entenderíamos e traduziríamos a língua dos sonhos se soubéssemos mais sobre o desenvolvimento da linguagem” (Fp. 146).

“É plausível supor, também, que a significação antitética original de palavras revele o mecanismo pré-formado que se explora com finalidades várias, nos lapsos de linguagem e que resulta dizer-se o oposto [do que conscientemente se tencionava]”. (p.146 nota 7).

 

FREUD, S. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud – Volume 19: O Ego e o Id e Outros Trabalhos. [The standard edition of the complete psychological works of Sigmund Freud Volume IXX (1923-1925]. Coleção dirigida por Jayme Salomão, Edição revisada por Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

Uma breve descrição da psicanálise

“Provas de ela [a psicanálise] ser útil para lançar luz sobre outras atividades que não a atividade mental patológica, logo se apresentaram, em vinculação com dois tipos de fenômenos: as parapraxias muito frequentes que ocorrem na vida cotidiana – tais como esquecer coisas, lapsos de língua e colocação errada de objetos – e os sonhos tidos por pessoas sadias psiquicamente” (p. 247).

 

LACAN, J. A instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud. In:______. Escritos. Rio de Janeiro: J. Zahar, 1998.

“O que essa estrutura da cadeia significante revela é a possibilidade que eu tenho, justamente na medida em que sua língua me é comum com outros sujeitos, isto é, em que essa língua existe, de me servir dela para expressar algo completamente diferente do que ela diz” (p 508).

“[…] para compreender que ele decifra: o que se distingue de decodificar pelo fato de que um criptograma só tem todas as suas dimensões quando é o de uma língua perdida. Fazer essas paradas […] é apenas continuar na Traumdeutung” (p. 514).

 

LACAN, J. O aturdito. In:______. Outros escritos. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2003.

“Uma língua entre outras não é nada além da integral dos equívocos que sua história deixou persistirem nela. É o veio em que o real– o único, para o discurso analítico, a motivar seu resultado, o real de que não existe relação sexual– se depositou ao longo das eras. (…)” (p. 492).

 

LACAN, J. A instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud. In:______. Escritos. Rio de Janeiro: J. Zahar, 1998.

“O que essa estrutura da cadeia significante revela é a possibilidade que eu tenho, justamente na medida em que sua língua me é comum com outros sujeitos, isto é, em que essa língua existe, de me servir dela para expressar algo completamente diferente do que ela diz” (p 508).

“[…] para compreender que ele decifra: o que se distingue de decodificar pelo fato de que um criptograma só tem todas as suas dimensões quando é o de uma língua perdida. Fazer essas paradas […] é apenas continuar na Traumdeutung” (p. 514).

 

LACAN, J. O aturdito. In:______. Outros escritos. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2003.

“Uma língua entre outras não é nada além da integral dos equívocos que sua história deixou persistirem nela. É o veio em que o real– o único, para o discurso analítico, a motivar seu resultado, o real de que não existe relação sexual– se depositou ao longo das eras. (…)” (p. 492).

 

MILLER, J.-A. Des-sentido para as psicoses. In:______. Matemas I. Rio de Janeiro: J. Zahar, 1996.

“Nós acreditamos que conhecemos a língua que falamos porque a compreendemos. É uma ilusão. O saber da língua excede em muito o conhecimento que temos dela. Sem isso, a psicanálise, enquanto freudiana, é impensável. Trata-se da própria fonte da interpretação.”

[…]

“Pois bem, eu diria que o convite analítico é este: “talvez, você aprenderá a língua que fala”. A interpretação não teria valor se não se apoiasse neste dado: a língua é Outro, escrito com maiúscula.

Que essa língua seja Outro, não impede que seja permeável a invenções da linguagem. Foi o que aconteceu com Freud que, no próprio arremate relativo à sua descoberta, forjou uma linguagem” (p. 163).

 

MILLER, J.-A. El lugar y el lazo. Buenos Aires: Paidós, 2013. (Los cursos psicoanalíticos de Jacques-Alain Miller).

“Lalíngua […] é nosso ronronar. Certamente, existe a linguagem e ela tem uma estrutura. Mas a estrutura da linguagem é secundária em relação ao ronronar. O significante não é mais que uma construção linguística que supõe a anulação, o esvaziamento da substância sonora, aquela na qual se produzem assonâncias e onomatopeias, todas as homofonias com as que Lacan joga em numerosas ocasiões” (p. 287).

 

MILLER, J.-A. O monólogo de aparola. Opção lacaniana online, São Paulo: Eolia, ano 3, n. 9, 2012. Disponível em: http://www.opcaolacaniana.com.br/pdf/numero_9/O_monologo_da_aparola.pdf. Acesso em: 15 abr. 2026.

Lalíngua que comecei a ilustrar, a evocar na vez passada, não parece ser uma estrutura. Se a estrutura é o que eu disse no início, não chego a dizer: Lalíngua é uma estrutura. Aliás, a palavra forjada por Lacan, juntando o artigo ao substantivo, é bem feita para marcar que, nela, os elementos da linguagem que acreditamos discerníveis, não o são tanto assim. E Leiris nos oferece numerosos exemplos. Em todo caso, é muito equívoca. Ela não deixa de ter relação com a estrutura, mas daí a dizermos que lalíngua é uma estrutura, nesse ponto recuamos. Particularmente porque lalíngua não é um objeto recortado na sincronia. Ela comporta uma dimensão irredutivelmente diacrônica, uma vez que é essencialmente aluvionária. Ela é constituída por aluviões em que se acumulam os mal-entendidos, as criações linguageiras de cada um” (p. 10).

“O fenômeno essencial do que Lacan chamou lalíngua não é o sentido – é preciso se dar conta disso-, mas o gozo. Nesse deslocamento, nessa substituição, todo um panorama se transforma – não se trata de uma pequena modificação que se introduz aqui e, depois, todo o restante permanece inalterado. Quando isso é tocado, todo o edifício desaba, ou, ao menos, balança” (p. 11).

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