FREUD, Sigmund. Edição standard das obras psicológicas completas de Sigmund Freud – Volume 2: estudos sobre a histeria (Breuer e Freud). Rio de Janeiro: Imago, 1974.

“A reação da pessoa agravada em relação ao trauma somente exerce um efeito inteiramente ‘catártico’ se for uma reação adequada – como por exemplo a vingança (…) Em outros casos, falar é por si mesmo o reflexo adequado, quando, por exemplo, essa fala corresponde a um lamento ou a enunciação de um segredo atormentador, por exemplo uma confissão” ( p. 49).

“É possível que esta resposta, ‘não sei’, fosse correta; mas pode muito bem ter indicado relutância em falar sobre as causas da gagueira. Tenho, desde então observado em outros pacientes que, quanto maior o esforço que fazem para reprimir uma coisa de sua consciência, maiores dificuldades têm em se recordarem dela sob hipnose, bem como na vida de vigília” (p.101 nota 2).

 

FREUD, Sigmund. A interpretação dos sonhos (segunda parte) (1900). In: ______. FREUD, Sigmund. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud – Volume 5: A interpretação dos sonhos: segunda parte e sobre os sonhos. Rio de Janeiro: Imago, 1977.

“Por mais que falas e conversas, quer razoáveis ou não em si próprias, possam figurar nos sonhos, a análise invariavelmente prova que tudo o que o sonho realizou foi extrair dos pensamentos oníricos fragmentos de falas que, na realidade, tinham sido pronunciados ou escritos. Ela trata desses fragmentos da forma mais arbitrária. Não somente os arranca de seu contexto e os reduz a pedaços, incorporando algumas partes e rejeitando outras, como amiúde os reúne numa nova ordem, de modo que uma fala que pareça no sonho, ser um todo integrado, vem a ser, na análise, composta de três ou quatro fragmentos destacados” (p. 446).

 

FREUD, Sigmund. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud – Volume 9: Gradiva de Jensen e outros trabalhos. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

“Mas qual é a origem dessa singular preferência em Gradiva por falas ambíguas? Parece-nos não ser uma casualidade, mas uma consequência necessária das premissas da história. Trata-se da contraparte da dupla determinação dos sintomas, já que as falas em si constituem sintomas e, como eles, surgem de conciliações entre o consciente e o inconsciente. Simplesmente acontece que essa dupla origem é mais evidente em falas do que em atos” (p.88).

 

FREUD, Sigmund. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud – Volume 23: Moisés e o Monoteísmo – Esboço de Psicanálise e outros trabalhos. Rio de Janeiro: Imago, 1975.

“Os processos de pensamento, e tudo o que possa ser análogo a eles no id, são, em si próprios, inconscientes, e obtêm acesso à consciência vinculando-se aos resíduos mnêmicos de percepções visuais e auditivas ao longo do caminho da função da fala. Nos animais, aos quais esta falta, as condições devem ser de tipo mais simples” (p.118).

“A ‘onipotência de pensamentos’ foi, supomos nós, expressão do orgulho da humanidade no desenvolvimento da fala, que resultou em tão extraordinário avanço das atividades intelectuais. Escancarou-se o novo reino da intelectualidade, no qual ideias, lembranças e inferências se tornaram decisivas, em contraste com a atividade psíquica inferior que tinha como seu conteúdo as percepções diretas pelos órgãos sensórios. Esse foi, indiscutivelmente, um dos mais importantes estádios no caminho da hominização” (p. 136).

“Temos de finalmente decidir-nos por adotar a hipótese de que os precipitados psíquicos do período primevo se tornaram propriedade herdada, a qual cada nova geração, não exigia aquisição, mas apenas um redespertar. Nisso temos em mente o exemplo do quer é certamente o simbolismo ‘inato’ que deriva do desenvolvimento da fala, familiar a todas as crianças sem que elas sejam instruídas, e que é o mesmo entre todos os povos apesar de suas diferentes línguas” (p.156-157).

 

LACAN, Jacques. O seminário, livro 5: as formações do inconsciente (1957-1958). Rio de Janeiro: J. Zahar, 1999.

“É justamente porque alguma coisa foi atada a alguma coisa semelhante à fala que o discurso pode desatá-la” (p. 13).

 

LACAN, Jacques. O seminário, livro 10: a angústia (1962-1963). Rio de Janeiro: J. Zahar, 2005. 

“[…] o sujeito, a partir do momento em que fala, já está implicado por essa fala em seu corpo. A raiz do conhecimento é esse engajamento no corpo” (p.241).

“[…] Pelo fato de falar, ele acredita atingir o conceito, isto é, acredita poder apreender o real por um significante que comanda esse real de acordo com sua causação íntima” (p. 323).

 

MILLER, J.-A. A erótica do tempo. Rio de Janeiro: EBP, 2000. 79 p. Seminário proferido durante o X Encontro Brasileiro do Campo Freudiano “Os circuitos do desejo na vida e na análise”, abril de 2000, Rio de Janeiro.

“Se vocês me acompanham, isso quer dizer que a fala analisante torna-se estritamente equivalente a uma leitura, ou seja, ele remete a uma escrita, à escrita de antes. é por aí mesmo que a interpretação, cuja essência é o jogo de palavras homofônico, é o reenvio da fala à escrita, quer dizer, o reenvio de cada enunciado presente à sua inscrição, à sua enunciação pelo sujeito suposto saber” (p. 51).

 

MILLER, J.-A. La fuga del sentido. Buenos Aires: Paidós, 2012. 430 p.

“Parece-me que a condição para que os fenômenos possam remeter-se ao inconsciente, é que possamos descobrir ali uma intenção de significação, ou seja, o que chamamos de um querer dizer.

Certamente, é um querer dizer especial, na medida em que está confrontado, freado, inibido por um certo não poder dizer, por uma impotência em dizer, um impossível de dizer ou uma proibição de dizer. Este querer dizer especial, que permite assignar um fenômeno ao inconsciente, está articulado a um indizível” (p. 244).

 

MILLER, J.-A. Ler um sintoma. Opção Lacaniana, São Paulo: Eolia, n.70, p. 13-22, jun. 2015. 

“A psicanálise não é só questão de escuta, listening; ela é também questão de leitura, Reading. No campo da linguagem, sem dúvida a psicanálise se inicia com a função da fala, mas ela se refere à escrita. Há uma distância entre falar e escrever, speaking and writing. É nesta distância que a psicanálise opera, é essa diferença que a psicanálise explora” (p. 14).

 

MILLER, J.-A. O monólogo de aparola. Opção lacaniana online, ano 3, n. 9, 2012. Disponível em: http://www.opcaolacaniana.com.br/pdf/numero_9/O_monologo_da_aparola.pdf. Acesso em: 15 abr. 2026.

“O cerne da função da fala é dado pelo que nomeio hoje a vontade-de-dizer. A fala sempre implica uma estratégia que envolve o Outro, uma vez que o parceiro do sujeito, que sempre existe, é o Outro. É a partir desse fundamento que situa o sujeito e seu querer-dizer na fala, e o Outro, seu parceiro – que podemos distinguir, por exemplo, a demanda e o desejo” (p. 7).

 

MILLER, J.-A. Silet: os paradoxos da pulsão, de Freud a Lacan. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2005. (Curso de orientação lacaniana, 1994-1995).

“Definitivamente, quando o valor de gozo se infiltra na fala, o melhor modo de batizá-lo é pelo silêncio. A pulsão infiltra a fala fazendo-a calar. A fala não alça o seu vôo, e sobrevém o silêncio” (p. 35).

CENTRO SUL
Av. Gov. Gustavo Richard, 850 – Centro
Florianópolis – SC, 88010-290, Brasil