ECOS DA I PREPARATÓRIA DO XXVI EBCF
Glória Maron
“O sonho é em si mesmo, uma interpretação, selvagem, é claro, mas interpretação?”[1], citação de Lacan que aponta para a o inconsciente intérprete assim como nos conduz a problematizar o fazer e a posição do analista. A interpretação do analista não visa uma suposta complementação do que falta ao texto do inconsciente e nem se confunde com sua tradução. Retomo e compartilho a pergunta de Cristina Drumond: como dar lugar ao inconsciente intérprete sem alimentar o sentido e tendo a chance de tocar o real.
Os ecos da I Preparatória do XXVI EBCF contribuíram com muitos elementos para turbinar essas questões e nos impulsionar nessa trilha de pesquisa. A começar, foi se estabelecendo uma separação rigorosa entre uma interpretação que seja pela decifração ou pelo silêncio pode se colocar a serviço da infinitização do sentido daquela intervenção do analista que vai além do plano do dito do analisante, podendo assumir valor de corte.
Testemunhamos que as intervenções dos fragmentos clínicos não se orientaram no que quer dizer isso, nem tampouco o que o analisante quer para dizer isso e sim o que é que, ao dizer isso quer[2]. Essa torção que se volta para localizar o dizer naquilo que não foi dito na fala do analisante coloca no horizonte da interpretação lacaniana o deslocamento do isso quer dizer para o isso goza, abrindo a possibilidade de uma outra escrita do inconsciente e uma modificação da relação do analisante com uma dimensão real do gozo que lhe é inapreensível, opaco.
Sigamos essa trilha, ap
reendendo nas sutilezas dos fragmentos clínicos, o que não está contado em uma história, o não se torna uma mensagem, não produz sentido, mas está ali.
