Afiando com outros autores
FIOS 1 E 2
O FORÇAMENTO POÉTICO (AFETO, A ENUNCIAÇÃO E A ESCRITA)
O QUE RESSOA NA INTERPRETAÇÃO? (PULSÃO, CORPO E SIGNIFICANTE)
BAUDINI, Silvia. Entrevista a Graciela Brodsky: acción lacaniana. Virtualia: Revista digital de la Escuela de la Orientación Lacaniana, Buenos Aires, ano 2, n. 8, jun./jul. 2003. Disponível em: <https://www.revistavirtualia.com/storage/articulos/pdf/5P7KXBWlL6DV20d1ae7vNSDjl2drl1eDwYa2PFrN.pdf>. Acesso em: 10 ago. 2026.
A poesia não é falar em rima; tampouco, como indica Lacan, é dizer coisas belas, porque não temos coisas belas para dizer; muito menos é converter o dizer em puro verso. Poesia é poiêsis, criação. Na orientação lacaniana, a poesia está mais próxima do Witz do que do alexandrino. (Baudini, 2003).
BRODSKY, Graciela. O suporte corporal. Boletim Modos de Usar, Florianópolis: EBP-Sul, 3 dez. 2024. Disponivel em: < https://ebp.org.br/sul/o-suporte-corporal/>. Acesso em: 10 ago. 2026. Conferência realizada em Florianópolis, na 5ª Jornada da Seção Sul “Discursos e corpos, a causa de um dizer”, ocorrida em 04 e 5 de outubro de 2024.
Se fizermos um percurso da doutrina da interpretação de Lacan, ele vai desembocar em suas especulações sobre a poesia chinesa, no haikai, na jaculação, no famoso exemplo que temos de geste à peau e gestapo. O geste à peau é um exemplo que utilizamos e que tenho que dizer que é impressionante. Vemos o limite a que chega Lacan em sua tentativa de tocar o gozo mais além do objeto a. O problema de que maneira o significante toca o corpo é o qie Lacan não deixa de pensar em todo o seu último ensino. (Brodsky, 2024).
BROUSSE, Marie-Hélène. Por que é que ele vem? Opção Lacaniana online, São Paulo, nova série, v. 2, n. 4, mar. 2011. Disponível em: <http://www.opcaolacaniana.com.br/pdf/numero_4/porque_que_ele_vem.pdf>. Acesso em: 10 ago. 2026.
“O que ouve o analista nessa fala sob transferência que se dirige a ele, essa fala que se procura, se força eventualmente, que se preparou ao inesperado do encontro de corpo que se efetua no consultório, essa fala que surpreende aquele que a enuncia ou essa fala que permanece prisioneira? […] O analista ouve o efeito de significante que habita o falasser, que lhe escapa e frequentemente lhe complica a vida quando não o tortura”. (Brousse, 2011).
FUENTES, Maria Josefina Sota. Deixar-se escrever. In: MILLER, Jacques-Alain. Aposta no passe: seguido de 15 testemunhos de analistas da Escola, membros da Escola Brasileira de Psicanálise. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2018. p. 237-243.
“Na separação, significantes novos se deram quando eu recorria à escrita como quem se deixa naquilo que se escreve entre os achados da vida. Parti servindo-me do novo laço que ali pari, com o significante e com a vida, com a suavidade da sua-vida, da vida que sou e segue. Assim, a satisfação pela vibração dos equívocos da língua toma conta de mim a cada vez que se produz, ressoando no vazio fértil do inconsciente poeta que me alegra e me aloja, trazendo-me com satisfação ao meu corpo, que assim vai se tecendo no dizer”. (Fuentes, 2018, p. 243).
HOLCK, Ana Lucia Lutterbach. Relato. In: MILLER, Jacques-Alain [et al]. Aposta no Passe: seguido de 15 testemunhos de Analistas da Escola, membros da Escola Brasileira de Psicanálise. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2018. p. 163-169.
“A interpretação sem sentido do analista, “Esse patê é você”, e o corte da sessão … fazer-se “patê” (para ser tida), fazer-se “pavê’ (para ser vista), fazer-se “pá cumê” (para ser comida), fazer-se “pra tudo” e, finalmente, “pastout”. (Kolck, 2018, p. 166-167).
LACADÉE, Philippe. O despertar e o exílio: ensinamentos psicanalíticos da mais delicada das transições, a adolescência. Rio de Janeiro: Contra Capa Livraria, 2011.
“Todos os neologismos inventados por Lacan provocam o pequeno deslocamento necessário à vida da linguagem, fazendo soar a ressonância da fala, ao modo de como a poesia faz jorrar a faísca do ‘escrito na fala’. Nesses termos, tais neologismos se distinguem de simples ditos espirituosos. Embora o neologismo ancore o dito espirituoso, ele constitui também o ponto de ancoragem do recurso à escrita, de onde se efetua um passo de sentido (pas de sens)”. (Lacadée, 2011, p.43-44).
LAURENT, Éric. A interpretação: da escuta ao escrito. Correio, São Paulo: EBP, n.87, p. 61-74, abr. 2022.
“O psicanalista só consegue acertar o alvo se ele estiver à altura da interpretação operada pelo inconsciente, já estruturado como uma linguagem”. (Laurent, 2022, p. 63).
“A função poética revela que a linguagem não é significação, mas ressonância, e evidencia a matéria que, no som, excede o sentido”. (Laurent, 2022, p. 63).
“O uso que o psicanalista faz da metáfora e da metonímia não tem, porém, a mesma visada que o poeta, que visa o efeito estético, libera um mais-de-gozar que lhe é próprio. O psicanalista, como no chiste, deve visar a ética, ou seja, o gozo”. (Laurent, 2022, p. 71).
“A nova poética que Lacan traz à luz por meio da interpretação não está ligada ao belo, mas toca o gozo como o chiste, que desencadeia um mais-de-gozar particular”. […] Essa ressonância permite elevar o dizer à altura de um acontecimento, como o sintoma. (Laurent, 2022, p. 71).
LAURENT, Éric. El caso, del malestar a la mentira. Cuadernos de Psicoanálisis, Bilbao: Eolia, n. 26, p. 7-20, jun. 2002.
“A poética psicanalítica supõe um ato de linguagem que desloca, desarticula, o significante-mestre. É uma poética que ultrapassa o analista e o analisando. Como diz Lacan, o analista é poema mais do que poeta quando acessa essa dimensão da linguagem. É o ponto onde a “orthé doxa” que se apoia sobre a estrutura no real, testemunha a “mentira’ do real”. (Laurent, 2002, p. 20). Tradução nossa.
LAURENT, Éric. Lalengua y el forzamiento de la escritura. El Psicoanalisis: revista de la Escula Lacaniana de Psicoanalisis. Barcelona: ELP, n. 46, 2025. Disponível em <https://elpsicoanalisis.elp.org.es/author/eric-laurent/>. Acesso em: 11 ago. 2026. (Original: Lalangue et le forçage de l’écriture, Em: La cause du désir, n.106. Paris: Edition L’École de la Cause Freudienne, p. 36-45. 2020.)
“(…) Em James Joyce se trata realmente do laço [boucle] e da anulação da resposta do Outro. Esta anulação da resposta do Outro não faz senão precipitar em Joyce o trabalho criativo, tão amplamente sustentado, que se tornou Finnegans Wake. O que Joyce nos revela, através de seu esforço pioneiro de Saint homme, de mártir da linguagem e de sua relação com a escritura, é que esta criação nós a levamos a cabo, cada um de nós, sem sabê-lo. Não é que façamos prosa sem sabê-lo, como o Sr. Jourdain; é que criamos a lalingua que falamos, sem sabe-lo”. (Laurent, 2025, p. 100 em espanhol, e p. 39-40 em francês). Tradução nossa.
“Começarei por «Lituraterra», um texto posterior a «Radiofonía», mas no qual o efeito de forçamento é particularmente claro. Em um momento de seu desenvolvimento sobre a oposição entre dois modos da letra, a letra que transcreve a matéria sonora e a letra que se produz a partir dela, evoca o «matrimonio» da pintura com a letra da caligrafia. Na escritura caligráfica em sua forma cursiva, a singularidade da mão do calígrafo supera, «esmaga» o universal do significante”. (Laurent, 2025, p. 102 em espanhol e 41 em frânces). Tradução nossa.
“Passemos agora a um segundo exemplo de forçamento de lalingua pelo escrito para produzir um sulcamento (ravinement) particular onde ressoarão e se superporão em ondas sucessivas os laços da barra, da falha e do estatuto ôntico do inconsciente. Se trata de uma passagem da resposta de Lacan à quarta das perguntas que propiciaram a escrita de «Radiofonía».” (Laurent, 2025, p. 105 em espanhol e 43 em francês). Tradução nossa.
“(…) Esses diferentes forçamentos permitem criar a lalingua que cada um fala para habitá-la de maneira viva. Ela implica uma relação particular entre o significante e a moterialidade da letra. É outra maneira de abordar a poética particular do inconsciente, e o estatuto de poema que o atravessa.” (Laurent, 2025, p. 109 em espanhol e 45 em francês).
LEGUIL, Clotilde. Presença do analista e experiências do inconsciente. Correio, São Paulo: EBP, n.90, p. 111-127, abr. 2023.
“O analista, segundo o último Lacan, o dos anos 1970, é aquele que faz ressoar de seu próprio corpo o efeito de gozo produzido pelo significante. É então como Outro do sentido que ele deve ausentar-se para estar presente como parceiro do corpo do analisante”. (Leguil, 2023, p. 112).
MACHADO, Ondina. No fim, a transferência. Correio, São Paulo: EBP, n. 96, p. 49-62, abr. 2026.
“[…] a futura analista marcou uma diferença entre aquilo que insiste porque não foi analisado ou insiste porque é inanalisável. Essa era a questão com a qual me debatia, sem, no entanto, a ter formalizado. Foi o que ouvi como enunciação da futura analista que me permitiu fazê-lo. Mesmo não sendo uma interpretação, mesmo não sendo dirigida a mim, senti-me interpretada e precipitei-me em pedir-lhe análise. O efeito, sem dúvida, foi de interpretação e me levou de volta à análise”. (Machado, 2026, p. 51).
“Os sentidos proliferaram nas inúmeras vezes que falei disso em análise, mas nenhum deu conta do que buscava, que era saber sobre o desejo do pai pela filha. Na última semana de análise o mito retornou com outra escrita. O enigma se manteve, porém, agora, direcionado ao gozo que o riso indicava. […]”. (Machado, 2026, p. 59).
“[…] O riso do meu pai, sobre o qual produzi um sem-número de significações, se escreveu só-riso”. (Machado, 2026, p. 60).
SELDES, Ricardo D. Da interpretação a transferência. Opção Lacaniana, São Paulo: Eolia, n.14, p. 93-97, nov. 1995.
“A interpretação produz algo novo se a concebemos na via do efeito que o significante produz no advento do significado. E quer ser tão claro que se coloca um pouco irônico. Não se trata de uma interpretação que provém das vozes dos arquétipos divinos, mas do simples fato de que a estrutura radical do inconsciente é a linguagem. E aponta seus dardos diretamente para a função do significante no real enquanto institui um lugar para o sujeito”. (Seldes, 1995, p. 96).
TARRAB, M. El decir y lo real: hacer escuchar lo que está escrito. Olivos: Grama, 2023.
“Aquilo que assimilamos ao conceito do acontecimento de corpo, ou para sermos mais conceituais, ao Um sozinho, como alcança-lo? Essa loucura de cada um, além do acontecimento de corpo, é composta pelo que cada um leu sobre o encontro com o real que o tocou, e do sentido e gozo que extraiu disso”. (Tarrab, 2023, p. 205). Tradução nossa.
VIEIRA, Marcus André. Como morder o mar (ou na trilha sonora de uma análise). In: MILLER, Jacques-Alain [et al]. Aposta no Passe: seguido de 15 testemunhos de Analistas da Escola, membros da Escola Brasileira de Psicanálise. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2018.p 205-212.
“Ali, do outro lado, na gritaria, há um mordido (…). Disse-me, então, aquele som é de um “mordido da vida”, da “amor dida da vida”, que é também mort su re (morte certa, em francês). Essa série se conclui com um neologismo: mordidavida.” (Vieira, 2018, p. 210-211).
VIEIRA, Marcus André. Como ouvir a voz do texto: interpretação, transcrição e introdução. Desassossegos: revista de psicanálise de orientação lacaniana, Lisboa: ACF-Portugal, n. 1, p. 17-26, out. 2018.
“Alguma coisa no dizer em questão ressoa e produz a certeza de que esse dizer encarna algo da minha singularidade, o que muda também o valor dessa certeza fazendo uma presença estranha se tornar mais companheira. É como se alguma coisa encontrada na análise não engendrasse emparelhamento de conteúdos, nem a surpresa de um novo conteúdo, mas também a certeza de uma presença. Ela diz que ali, nessa fala, apenas sou, sem que nem porquê”. (Vieira, 2018, p. 21).
VIEIRA, Marcus André. Ressonâncias da intradução lacaniana. São Paulo: EBP, abr. 2024. Disponível em: <https://encontrobrasileiroebp2024.com.br/index.php/2024/04/30/ressonancias-da-intraducao-lacaniana1/>. Acesso em: 08 ago. 2026.
“Alíngua ressoa a experiência da língua, do gozo de falar. Ao escrever o artigo e o termo juntos, em sua língua materna, Lacan traz à cena o prazer de balbuciar, lalar, que só se consegue resgatar em português com o termo lalíngua. Por isso, em português, traduzimos o termo igualmente com o neologismo, para dar mais ênfase à lalação. É o gozo de ser tomado por lalíngua. É o gozo da ressonância”. (Vieira, 2024).
(…)
“Toda ideia de Lacan é que o termo soe exatamente como o original para percebermos que somente a escrita pode registrar o gozo do falante. A escrita, no sentido comum, do que se escreve em um papel, é um modo da linguagem diferente da fala, que acolhe o gozo do falar de outra forma. O traço porta um gozo que nem sempre aparece na fala, escondido “por trás do que se ouve no que se diz”, segundo a fórmula célebre de Lacan em “O Aturdito”. Por isso, com base na escrita, Lacan pode, neste neologismo, trazer o gozo da lalação na própria palavra que usamos normalmente para dizer de sua perda – Alíngua em vez de A língua”. (Vieira, 2024).
“Desta forma, o gozo deixa de ser um objeto e pode se apresentar como presença, pressentida no próprio discurso que o aprisionava. O que ganhamos com isso? A possibilidade de “fazer com”, de lidar, de dar lugar ao gozo indefinido desse elétron, que tanto pode ser uma coisa quanto outra, sem que se sonhe com um acesso direto a ele, um real em si que só existiria como Deus”. (Vieira, 2024).
FIOS 3 e 4
LALÍNGUA, LÍNGUA E DISCURSO: QUAL A MATÉRIA DA INTERPRETAÇÃO?
INTERPRETAÇÃO CORTE E INTERPRETAÇÃO MONTAGEM (SINTHOMAE INTERPRETAÇÃO)
BASSOLS, Miquel. Retal 1: Lituratierra. Desescrits: de psicoanàlisi lacaniana, dez. 2013. Disponível em: <http://miquelbassols.blogspot.com/2013/12/retales-1.html>. Acesso em: 8 ago. 2026.
“É esta letra que Lituraterra transforma em um corte, em um litoral, também em uma rasura, litura, que é também resto, litter”. (Bassols I Puig, 2013). Tradução nossa.
LAURENT, Éric. A interpretação: da escuta ao escrito. Correio, São Paulo: EBP, n.87, p. 61-74, abr. 2022.
“A função poética revela que a linguagem não é significação, mas ressonância, e evidencia a matéria que, no som, excede o sentido”. (Laurent, 2022, p. 63).
“A interpretação como homofonia é apreendida na generalização do equívoco, que supõe um reenvio ao está escrito”. (Laurent, 2022, p. 66).
“O gozo é autoerótico, mas a língua não é um assunto privado. Ela é comum. E Lacan explora os recursos do que pode permitir ao analista fazer ressoar outra coisa que não o sentido, algo que evoque o gozo na língua comum”. (Laurent, 2022, p.70).
LAURENT, Éric. Prodiálogo. In: BAYÓN, Patricio Álvarez. O autismo, entre a língua e a letra. Vitória – ES: Cândida, 2024. p. 11-21.
“É porque a letra não é uma inscrição, mas uma constituição de uma borda ao redor de um furo, que ela é um modo de tratamento dos percursos e dos gozos pulsionais; fundamentalmente, dos percursos da voz e do olhar. Essa borda supõe o encontro do sujeito autista com uma alíngua, no banho. de linguagem no qual ele está imerso”. (Laurent, 2024, p. 14).
“A inscrição da linguagem não dirigida – no corpo – reforça a exigência, para o sujeito autista, de dispor de uma linguagem livre dos equívocos, que somente a direcionalidade e o contexto permitem interpretar. Trata-se, então, de produzir uma linguagem que prescinda de toda interpretação”. (Laurent, 2024, p.17).
“[…] a linguagem privada é um testemunho, por excelência, da construção de uma borda específica entre o sujeito e o Outro com o qual tem que se haver. Esses fenômenos originais testemunham sobre o encontro com o banho de alíngua no qual o sujeito está imerso, em todas as suas variedades. O sujeito se extrai de alíngua comum apoiando-se na repetição da inscrição de palavras no corpo. […] E são os percursos que o sujeito fará que permitirão a ele obter essa inclusão no mundo”. (Laurent, 2024, p.21).
MILNER, Jean-Claude. O amor da língua. [L’amour de la langue]. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 2012. 127 p.
“La língua doravante concebida como não representável para o cálculo – isto é, como cristal – ,elas são os recantos em que cintila o desejo e nos quais o gozo se deposita”. (Milner, 2012, p. 8).
“Mas o real do equívoco resiste: a língua não cessa de ser desestratificada por ele”. (Milner, 2012, p. 19).
“Nada de designação unívoca, então, para o lugar dos equívocos. Apenas um semblante pode se prestar a isso, ele mesmo trabalhando pelo equívoco cujo real é aqui visado; compreende-se, então, que lhe seja apropriado um nome forjado por Lacan: lalíngua [la langue]”. (Milner, 2012, p. 21).
“Lalíngua é o que faz com que uma língua não seja comparável a nenhuma outra, na medida em que ela justamente não tem outra(…) La língua é, em toda língua, o registro que a fada ao equívoco.” (Milner, 2012, p. 21).
“Um modo singular de fazer equívoco, eis então o que é uma língua entre outras. Por isso, ela se torna coleção de lugares, todos eles singulares e heterogêneos, de qualquer lado que se a considere, ela é outra para si mesma, incessantemente heterotópica. É por isso também que ela constitui igualmente substância, matéria possível para as fantasias [fantasmes], conjunto inconsciente de lugares para o desejo”. (Milner, 2012, p. 22).
“Será que a língua não passa de uma máscara arbitrariamente construída e que não tangencia nenhum real? (…) Esclarecer a relação de lalíngua com a língua tangencia, então, a ética”. (Milner, 2012, p. 23).
“O conceito de linguagem consiste inteiramente na questão de ‘por que é que la língua existe’. Em outras palavras, a linguagem não é nada além de la língua apanhada na bifurcação de sua existência ou de sua inexistência: um saber que passa pela ausência fantasiada de seu objeto”. (Milner, 2012, p. 26).
“A língua é o que sustenta lalíngua na qualidade de não toda (…) A verdade, enquanto não toda, concerne ao real (…)A própria verdade na língua concerne ao real (…) A língua sustenta o real de lalíngua”. (Milner, 2012, p. 28).
“Esse real, portanto, é essencialmente não representável”. (Milner, 2012, p. 32).
“Considerando um real irrepresentável, a língua pode funcionar como agalma, tesouro, objeto a”. (Milner, 2012, p. 34-35).
“Os anagramas não têm nada de ilusório, muito pelo contrário, eles tangenciam um real: o da homofonia”. (Milner, 2012, p. 88).
“Pelo incontornável de seu real, ele extrapola a língua (…) essa função de excesso é o que nós chamamos de lalíngua”. (Milner, 2012, p. 90).
OTONI-BRISSET, Fernanda. O laço entre o amor e a coragem. São Paulo: EBP-SP, jun. 2018. Disponível em: <https://ebp.org.br/sp/o-laco-entre-o-amor-e-a-coragem-fernanda-otoni-brisset/>. Acesso em: 10 ago. 2026.
“O saber inconsciente articula um saber-fazer “com lalíngua – ou convém acrescentar, diz Pierre Naveau – daquilo que não se consegue não fazer com ela” que insiste, que itera, e que resta inassimilável, mas que no instante do encontro é o que cintila e força o clic. Quando uma palavra fere e deixa rastro no corpo, é alíngua que ressoa jubilante. Um acidente que faz aí um corte epistemológico, dirá Naveau, um saber novo advém desse corte, uma irrupção de gozo faz saber do que aí vibra”. (Otoni-Brisset, 2018).
VIEIRA, Marcus André. Nossa alfabestização: entre língua e lalíngua. Correio, São Paulo: EBP-SP, n.95, p. 135-143, out. 2025.
“O protagonismo de lalíngua, supõe, porém, um novo modo de conceber a escrita que está diretamente relacionado a um deslocamento na função do Outro, entendido como a alteridade cultural em que será mergulhado o falasser”. (Vieira, 2025, p. 138).
“Afinal, lalíngua nada mais é que uma multiplicidade inconsistente de traços e experiências sonoro-corporais”. (Vieira, 2025, p. 142).
FIOS 5 e 6
ROMPER O DISCURSO PARA SOLETRAR O INDIZÍVEL (LETRA)
A EQUIVOCAÇÃO COMO POLÍTICA DA INTERPRETAÇÃO (SENTIDO, CHISTE, SIGNIFICANTE NOVO)
BASSOLS, Miquel. A interpretação como mal-entendido. Opção Lacaniana, São Paulo: Eolia, n.18, p. 62-65, abr. 1997.
“(…) não se pode interpretar o mal-entendido, pois o mal-entendido é a interpretação”. (Bassols, 1997, p. 62).
“A ideia da interpretação como “vacilação calculada”, como uso do tempo no equívoco, foi de Lacan e veio a explorar esta dimensão do mal-entendido inerente à significação produzida na cadeia significante”. (Bassols, 1997, p. 62).
“A interpretação, como pontuação ou como equívoco, será uma das consequências do inconsciente que trabalha como mal-entendido na cadeia significante”. (Bassols, 1997, p. 62).
BASSOLS, Miquel. Retal 1: Lituratierra. Desescrits, 2 dez. 2013. Disponível em: <http://miquelbassols.blogspot.com/2013/12/retales-1.html>. Acesso em: 08 ago. 2026.
“Temos certeza que existe escrita somente a partir do momento em que é possível a homofonia e o equívoco”. (Bassols, 2013). Tradução nossa.
BASSOLS, Miquel. La interpretación como malentendido. Buenos Aires: Colección Diva, 2001. Disponível em: <https://www.cdcelp.org/es/ficha-actividad.php?f=420&s=3>. Acesso em: 08 ago. 2026.
“O ‘tudo é interpretável’ é por assim dizer: uma interpretação delirante da interpretação.” (Bassols, 2001). Tradução nossa.
BRODSKY, Graciela. O suporte corporal. Boletim Modos de Usar, Florianópolis: EBP-Sul, 3 dez. 2024. Disponível em: < https://ebp.org.br/sul/o-suporte-corporal/>. Acesso em: 09 ago. 2026. Conferência realizada em Florianópolis, na 5ª Jornada da Seção Sul “Discursos e corpos, a causa de um dizer”, ocorrida em 04 e 5 de outubro de 2024.
“O problema de que maneira o significante toca o corpo é o que Lacan não deixa de pensar em todo seu último ensino. (…) não é um problema resolvido. (…) é o nosso problema da interpretação. (…) é a prática da psicanálise. Quando Lacan finaliza com um saber se virar com é porque chega à conclusão de que não há modo de tocar isso que não se pode tocar e que, com isso, tem que se virar. Quando diz, finalmente, ao real é preciso se acostumar. É preciso se acostumar, não há nenhuma expectativa de redução, de superação, de sublimação, são os limites de nosso ensino. Mas, para chegar a isso, é preciso ir passo a passo, senão nos entusiasmamos com os limites e é melhor ir aos poucos”. (Brodsky, 2024).
“O equívoco aparece muito antes dos nós no ensino de Lacan. O problema da interpretação, bom, efetivamente é o limite. (…) A prática da interpretação que se desprende do ultimíssimo ensino de Lacan é mais precisamente uma constatação e sequer um corte, a constatação do há. É preciso localizar os momentos da análise, uma análise não é a mesma coisa quando começa e quando acaba”. (Brodsky, 2024).
“(…) A ambição de Lacan era que a interpretação produzisse um acontecimento de corpo. Essa é a última virada que temos em Lacan a respeito da interpretação, de que maneira a interpretação produz um efeito de corpo. Somente produz um efeito de corpo se de alguma maneira está enlaçada a esse efeito de corpo inicial. Por isso, a interpretação tem cada vez mais o formato de murmúrio, a forma de lalíngua. Não a forma de um significante equívoco, senão de que maneira a interpretação pode se mimetizar, se assemelhar, se parecer ao impacto de lalíngua sobre o corpo. E, então, assim são suas ideias da ressonância, de que maneira tocar o corpo com a palavra. Isso porque sua doutrina passa a ser que o parlêtre está constituído sobre o impacto da lalíngua sobre o corpo, e então a interpretação deveria reduplicar isso, para enfrentar o sem sentido que há nisso, e não para lhe dar sentido”. (Brodsky, 2024).
“Nesse sentido, a interpretação tem como meta abolir o sentido, mas não apenas abolir o sentido pelo jogo de palavras, não apenas com o jogo significante, porque finalmente isso sempre dará lugar a outra nova significação. Todo equívoco lança uma nova interpretação e uma nova significantização. A ideia de Lacan da interpretação como réson, como ressonância, acompanha aquilo que Miller chamou como forma de interpretação, a constatação, que é exatamente o contrário do equívoco. O equívoco é duas palavras que soam parecido e remetem a outra coisa, quer dizer que o equívoco sempre tem como sustentação a fórmula “não é isso”, “quis dizer isto, mas, na verdade, quis dizer isto”, (…) tem o jogo de palavras que pode se estender ao infinito”. (Brodsky, 2024).
“A constatação tem outra forma de jogo de palavras que é “é assim”. É isso. É a constatação de que é isso”. (Brodsky, 2024).
“No equívoco, estamos na dimensão de não há, até imaginar chegar a um não há absoluto, não há sentido último”. (Brodsky, 2024).
“(…) a constatação é um é assim, isso é assim. Uma maneira de indicar, de fazer signo do que há. (…) é um plus que Miller agrega às modalidades da interpretação que vai na direção de há. Uma vez que formula o “há-Um” (…). Enquanto no equívoco a ideia de base é não é isso”. (Brodsky, 2024).
“É outra maneira, com a qual não implica que numa análise não se tenha que localizar o objeto, atravessar o fantasma e fazer tudo o que é preciso fazer. Mas, com isso, não se chega a tocar esse gozo que há e que se nidifica no sintoma. O sintoma pode ser interpretado mas há um núcleo ininterpretável no sintoma”. (Brodsky, 2024).
“Como o murmúrio cura? Enquanto não faça rir, não cura… se pudermos falar de cura. A interpretação analítica que pode conduzir para o final dos finais, não é a interpretação analítica com a qual recebemos o paciente. É quando todos os sentidos já foram percorridos, o que fica? O que fica do equívoco, do enigma, da citação? Fica o silêncio, a constatação, e a jaculação. Modos de fazer eco no corpo, como podemos.
Os AEs contam isso, algo disso nos transmitem os AEs. É para isso que existe a Escola, existe em boa parte para isso, (…)escutamos os AEs, para ver se podemos captar algo de como o murmúrio de lalíngua lhes permitiu sair da análise”. (Brodsky, 2024).
“Quando, para muitos casos, o murmúrio de lalíngua os conduz ao manicômio, mas, em alguns casos, o murmúrio de lalíngua permite reconhecer o sem sentido e deixar de buscar, se acostumar ao real”. (Brodsky, 2024).
“Não há modo de praticar a psicanálise se não é com isso, com uma intuição de que há um ponto irrepresentável, não significável e o que nos resta é nos virarmos com isso e, se é possível, nos divertirmos com isso. Sim, Lacan pensou que o final da análise tinha a estrutura do chiste, quando diz que o passe é a última boa história que nos contamos. (…) É a história que podemos montar de nossa vida com um pouco de comédia”. (Brodsky, 2024).
COTTET, Serge. Dois modos de interpretação. Opção Lacaniana, São Paulo: Eolia, n.10, p. 61-65, abr./jun. 1994.
“A interpretação deve ser renovada; o que levou ao problema, levantado em 1976, que dizia respeito aos perigos da interpretação que visa o restabelecimento do sentido latente em detrimento da letra. Os efeitos imaginários do significante efetuam a passagem da letra ao ser”. (Cottet, 1994, p. 63).
LAURENT, Éric. A interpretação: da escuta ao escrito. Correio, São Paulo: EBP, n.87, p. 61-74, abr. 2022.
“É no laço entre a interpretação tradução, que ainda joga com o sentido, e a interpretação corte, que joga com a matéria sonora equívoca, que se situa, no ensino de Lacan, a passagem entre a interpretação que dá sentido e seu avesso”. (Laurent, 2022, p. 63).
LAURENT, Éric. El surfista de la hiperletra y los subúrbios del significante. In:_____. Blog-note del sintoma. Buenos Aires: Tres haches, 2006.
“A experiência analítica, é a de um surfista sobre a tela tecida pela hiperletra, que traz um pedaço de carne”. (Laurent, 2006, p. 111). Tradução nossa.
LAURENT, Éric, Lalengua y el forzamiento de la escritura (original: Lalangue et le forçage de l’écriture, Em: La cause du désir, n.106. Paris: Edition L’École de la Cause Freudienne, p. 36-45. 2020/3). Disponível em: <https://elpsicoanalisis.elp.org.es/author/eric-laurent/>. Acesso em: 11 ago. 2026.
“Discurso do Um”: é assim que Jacques-Alain Miller propôs chamar esse paradoxo do discurso do Um sozinho do todo que Lacan explora especialmente no capítulo IX do Seminário 23. Esse discurso nos leva a um lugar ‘onde a palavra em si mesma perde sua função de comunicação, de informação, de transformação, para não ser senão uma palpitação de um gozo”. (Laurent, 2020, p. 98). Tradução nossa.
LAURENT, Éric. O além do falo, a desordem do ilimitado. Opção Lacaniana, São Paulo: Eolia, n.84, p. 60-73, fev. 2022.
“Jacques-Alain Miller definiu a nova problemática da interpretação em um artigo retumbante, opondo a interpretação-tradução à interpretação assemântica, remetendo-se apenas à opacidade do gozo. “A questão não é saber se a sessão é longa ou curta, silenciosa ou falante. Ou a sessão é uma unidade semântica, aquela em que S2 pontua a elaboração – delírio a serviço do Nome-do-Pai – e muitas sessões são assim; ou então a sessão analítica é uma unidade assemântica, reconduzindo o sujeito à opacidade de seu gozo. Isso supõe que, antes de ser terminada, ela seja cortada” [cf. Miller, “A interpretação ao avesso”, OL 15]. A polaridade fundamental não está mais entre o sentido e a verdade como furo, mas entre as duas faces do gozo: a que é lugar vazio no discurso e o fura, mas que se impõe em sua plena opacidade”. (Laurent, 2022, p. 70).
“A problemática da interpretação a-semântica introduz uma dimensão híbrida entre o significante e a letra, ao passo que toda uma parte do ensino de Lacan se opõe a eles. Ela dá conta do fato de Lacan chegar a opor a interpretação e a fala. “A interpretação analítica […] tem um alcance que vai muito além da fala. A fala é um objeto de elaboração para o analisando, mas o que diz o analista tem efeitos – pois ele diz. Pouco é dizer que a transferência aí tem um papel, mas isso não é nada, não esclarece nada. Tratar-se-ia de dizer como a interpretação incide e que ela não implica forçosamente uma enunciação” [cf. Lacan, “RSI”, 11/02/75]. Esse dizer do analista, que responde ao dizer do inconsciente, torna-se híbrido, Lacan o chamou de jaculação”. (Laurent, 2022, p. 71).
SOLANO-SUÁREZ, Esthela. El cristal de lalengua – Lo que se escucha, lo que se escribe, Buenos Aires: Tres Haches, 2025, p. 186.
“(…) O analista faz emergir um significante novo. (…) S1 que não tem sentido. Tal significante surge do cristal da lalíngua, gerado pela integralidade de equívocos que caracteriza a uma língua falada”. (Solano-Suárez, 2025, p. 186). Tradução nossa.
“Se o analisante é um poeta, o analista é um poepressa. Já que se serve do equívoco para presentificar, na pressa, a queda do dito, dando corpo a aquilo da linguagem que não é efeito, mas é resto”. (Solano-Suárez, 2025, p. 186). Tradução nossa.
SOLANO-SUÁREZ, Esthela. Três segundos com Lacan. Tradutor Iordan Gurgel; Marcela Antelo; Pablo Sauce. Salvador, Ba: EBP-BA, 2025. 180 p.
“A fugacidade da sessão com Lacan implicava sua redução ao esp d´un laps, o espaço de um lapso, e sua operação de corte abrupto, cirúrgico, perfurando os enunciados, permitiu-me, enfim, isolar a passagem da palavra para a escrita. Jogando com o equívoco, o analista fazia ressoar algo além do que havia dito com a intenção de dizer. Isso implica um modo diferente de escrever o que se ouve, transformando a operação analítica num exercício de leitura, dando aos enunciados a consistência de tecido, de matéria, de fio e de corda sobra a qual e trabalha para isolar o Um. O significante Um sozinho sem nenhuma carga de sentido. É precisamente a esse preço que se tem uma chance de tocar o real.
Ao fazer-me sujeito do discurso analítico, prossegui durante seis anos meu trabalho de análise com Lacan, na alegria sempre renovada da surpresa e do Witz”. (Solano-Suárez, 2025, p. 23).
“O início de minha análise foi incontestavelmente um furo traumático [troumatique], pois furou em ato o que eu acreditava ser a prática analítica fundada na associação livre. Ele procedia cortando o laço dos significantes entre eles, contrariando o relato dos sonhos, das lembranças, das elaborações: em suma, das elucubrações articuladas. Fazia objeção à ordem simbólica, ou seja, ao que em uma frase articula um sujeito, um verbo e um predicado, que sustentam a intenção de significação. Quebrava a unidade da frase de forma impiedosa, produzindo um efeito de furo do sentido. A sessão analítica se reduzia a um caroço que isolava na pressa a fugacidade de um equívoco significante. Desse modo, percutia em ato no trauma inicial”. (Solano-Suárez, 2025, p. 31).
“Assim fui arrancada da linguagem e de sua ordem, e deslocada para lalíngua, ou seja, para o lugar onde os rastros fora de sentido deixaram as marcas no corpo como letras de gozo, letras que ex-sistem no dito. Desse modo, experimentei, no que é dito, isso que cessa de se escrever, isso que cessa no nível da afetação do corpo, do cessa de se doer, sob condição de que as palavras não tenham mais sentido”. (Solano-Suárez, 2025, p. 32).
“Essa supervisão foi reduzida ao corte propício para destacar um S1, um significante mestre do sujeito: “m´etranglait”, que se escuta no equívoco homofônico em francês, ser inglês (être anglais)”. (Solano-Suárez, 2025, p. 45).
“…tanto na análise como no controle, Lacan exercia sua função dentro do mais estrito rigor “materialista” (no neologismo moterialiste, Lacan joga com a homofonia de mot, palavra, e materialismo para indicar a materialidade das palavras nas quais reside o inconsciente) [cfe LACAN, J. Conferência de Genebra sobre o sintoma, in Opção Lacaniana, n. 23, p. 10, 1998]. A supervisão tornava-se, assim, uma superaudição [cfe LACAN, J. Conférences et entretiens dans les universités nord-américaines. Scilicet, Paris, n. 6-7, 1976, p. 42], colocando acento sobre o que ouvimos, no sentido auditivo do termo” [ cfe LACAN, J. O seminário, livro 20: Mais, ainda. (1972-1973). Rio de Janeiro: JZEd., 1985, p. 42] como significante, isolado pelo corte, com a finalidade de fazê-lo ressoar como disjunto e sem ter nenhuma relação com o que significa”. (Solano-Suárez, 2025, p. 46).
“Este pulso que priva ao significante do sentido apontaria para produzir a passagem do significante para a letra e da palavra para o escrito. O discurso analítico consiste nesta particularidade de introduzir à leitura “(…) o que se lê para além do que vocês incitaram o sujeito a dizer (…)” [cf LACAN, J. O seminário, livro 20: Mais, ainda. (1972-1973). Rio de Janeiro: JZEd., 1985, p. 39]. (Solano-Suárez, 2025, p. 46-47).
“Lacan, em sua prática, esvazia o ser apontando em sua operação radical para “produzir uma báscula no alcance do efeito de sentido […] de modo a ir mais além que a palavra” e de seus efeitos de fascinação, a fim de produzir “um efeito de sentido que seja real” [cf LACAN, J. Le seminaire, livre XXII: RSI. 11/02/75, Ornicar ¿. Paris, n. 4, 1975, p. 95]. (Solano-Suárez, 2025, p. 55).
“…. o analista troumatique (furo-traumático), jogando com o laleo, fazendo vibrar as ressonâncias da lalíngua sobre o corpo, esvaziando as miragens do ser, deslocou as consequências da operação analítica para o lugar daquilo que ex-siste, para além das ressonâncias, na “consonância” do real, o qual, ao se enlaçar como terceiro ao imaginário e ao simbólico, “faz acordo”, no que diz respeito “a esses dois polos que o corpo e a linguagem constituem.” [LACAN, O sinthoma, 1975-1976/2007]. (Solano-Suárez, 2025, p. 56).
TARRAB, Maurício. El decir y lo real – Hacer escuchar lo que está escrito, Buenos Aires: Grama, 2023.
“Mas se o que deve fazer um analista com seu saber ler é cortar, esse não é um corte qualquer, agora é um corte entre o que quer e o que está aí”. (Tarrab, 2023, p. 182). Tradução nossa.
