SALA DE LEITURA
Discurso de lançamento do XXVI Encontro Brasileiro do Campo Freudiano – Barulhos da língua: a interpretação entre a fala e a escrita
Luiz Felipe Monteiro
Se passaram dois anos desde o último Encontro Brasileiro, em 2024: os corpos aprisionados pelos discursos e seus restos. Ali pudemos recolher os efeitos dos corpos quando atravessamos pelos distintos discursos. Naquele encontro o corpo falante foi posto no centro para com ele se interrogar como o discurso do mestre contemporâneo incide, alcança e faz sintoma. Investigou-se de que modo tais corpos são aprisionados, ou seja, como eles são constituídos e respondem aos significantes mestres da época.
Partimos!
Flávia Cêra
Bom dia a todos, quero dizer que é uma enorme satisfação estar aqui neste sábado com colegas tão queridos e com todos que nos acompanham, para lançar o XXVI EBCF. E especialmente, por estar neste lugar que movimenta e faz pulsar a cidade em variadas vozes, sons, sentidos, pelo qual tenho um amor e respeito imensos que é a Universidade Federal de Santa Catarina. É um belo lugar para darmos nosso pontapé inicial.
A extraterritorialidade da língua
Leonardo Scofield
Boa dia a todos.
Quero começar agradecendo, de maneira muito especial, ao Conselho e à Diretoria da Escola Brasileira de Psicanálise pela confiança depositada na Seção Sul para sediar o próximo Encontro Brasileiro do Campo Freudiano.
Agradeço nominalmente à presidente da Escola, Maria José Gontijo, e ao diretor-geral, Luiz Felipe Monteiro, por essa aposta — que nós recebemos com entusiasmo, mas também com a responsabilidade que ela implica.
Como ouvir os barulhos da língua?
Marcus André Vieira
A língua faz barulho? Não são nossas línguas que, ao colocar a língua inerte em movimento, rumorejam? Além disso, em que os barulhos da língua, caso existam, poderiam contribuir para a interpretação psicanalítica?
A interpretação, seja como tradução, como corte, enigma, citação, pontuação, ressignificação, até mesmo construção, entre outros, atua com base em planos distintos – nas diversas dimensões nas quais a linguagem nos constitui, produz e localiza a vida em nossas falas e corpos.
Ode ao bizarro: pontuações sobre a interpretação
Henri Kaufmanner
Em seu texto “Vous avez dit Bizzare?” Miller destaca a dimensão bizarra da interpretação. Para ele, todos os fenômenos apontados por Freud e que resultaram na criação da psicanálise são bizarros. Fundamentalmente diz Miller, o inconsciente se manifesta de maneira bizarra.
Costumamos procurar o analista a partir de fenômenos ou incapacidades bizarras. Entretanto, diz Miller, mais até que seus pacientes, os analistas são bizarros. Não há como não reconhecer isso…
A interpretação psicanalítica ainda faz barulho?
Louise Lhullier
Bom dia!
Começo por agradecer pela confiança expressa no convite formulado pela Diretoria da EBP, para coordenar o XXVI Encontro Brasileiro do Campo Freudiano com a querida Flávia Cêra.
Agradeço também pela insistência de Henri Kaufmanner e Marcus André Vieira para que participássemos da Comissão de Orientação Epistêmica, não nos deixando absorver pelas inúmeras decisões, operações, tarefas necessárias à materialização do XXVI Encontro.
