Qual interpretação?[1]

Mauricio Tarrab[2]

 

  1. Qual interpretação?

Perguntar-se “qual interpretação?” é já supor que não há somente a “interpretação analítica”. A psicanálise tem continuado uma tradição interpretativa na cultura. Há a interpretação analítica e as outras.

Se nos centramos na interpretação analítica, a qual interpretação nos referimos?

Certamente à interpretação que utilizamos como instrumento na cura analítica. Mas, qual? A interpretação do inconsciente que temos aprendido a preservar? Ou a interpretação que Lacan homologa ao desejo mesmo? Ou aquela interpretação que o sujeito faz desse enigma que é o desejo do Outro? A que fiz ou a que deixei de fazer a um analisante? A interpretação que deixei passar? A interpretação verdadeira? A inexata? A que inaugurou a história da psicanálise e se formalizou como a interpretação que aponta a fazer consciente o inconsciente?

Ou mais adiante, a que tinha em sua mira as resistências do eu, ou também àquela que se apoia na contratransferência? Ou, para mencionar um capítulo forte da história psicanalítica, aquela interpretação que recai sobre a transferência. E, para ir ao tempo lacaniano: qual interpretação? A que aponta a preencher um ponto morto na dialética da cura, como nos indica Lacan em “Intervenções sobre a transferência” em seu momento mais kleiniano? Ou será a interpretação que está orientada à falta a ser, ao -j?

Ou se trata daquela que aponta a destacar um significante mestre? Ou, para dar um salto em Lacan mesmo, aquela interpretação que aponta ao indizível? Ao real? A um osso de não sentido? Ou será a interpretação que isola um significante irredutível? Ou a interpretação que aponta ao objeto a, o qual deve cair “ao lado” do significante? Asseguro-lhes que poderíamos continuar ampliando esta enumeração e estou seguro de que vocês me seguiriam aportando possibilidades que derivam das diversas maneiras em que se aborda e se tem abordado a questão inatingível na história da psicanálise, e que cada um de nós como praticantes enfrenta diariamente em sua prática.

Verão que procuro justificar o “Qual?” de meu título, introduzindo por sua vez a noção – que não é uma novidade para nenhum de vocês – de que a interpretação é tão onipresente na psicanálise como diversa e difícil de capturar em seu conceito e em sua aplicação, entrando em jogo variáveis diversas e difíceis de definir. Se admitimos que a psicanálise é um saber que não se pode transmitir em sua totalidade, há que se aceitar também que não há forma de transmitir um savoir-faire da interpretação analítica. Nisso, a prática que fazemos da interpretação é como a psicanálise mesma.

Isso poderia desiludir aos que buscam respostas concretas sobre “como se faz”. E isso não só é um desejo dos que começam, mas também de cada um dos que levamos anos na prática. Mas com a interpretação, assim como no encontro sexual, no corpo a corpo, não há manual de instruções que valha. E, como nesse livro exemplar de Carver[3], na interpretação, como no amor, somos todos principiantes.

Quão mais fácil seria um manual de instruções!

 

  1. As ficções, o real e a máquina de interpretar

Começarei referindo-me ao cartaz que elegeram para situar meu primeiro ponto sobre a interpretação. É uma bela foto, e aprecio a boa fotografia. De imediato, essa figura simples e enigmática, caminhando de costas pela rua, me fez perguntar-me: o que quiseram dizer? É Pessoa caminhando por Lisboa, e isso leva à relação da poesia e a interpretação? Ou é meu amigo Sinatra, que esteve com vocês há alguns dias e cujos chapéus, como os do personagem da foto, são já bem conhecidos entre nós?

De qualquer maneira, o efeito estético e o sem sentido da imagem pareciam perder-se entre a elucubração poética e o chiste.

Não vou me estender em minhas associações automáticas acerca das intenções do cartaz, tão belo como enigmático. Contudo, com este simples exemplo, quero destacar como existe uma predisposição a interpretar, disposta a colocar-se em movimento para preencher qualquer furo com algum sentido. Há uma interpretação disposta a saltar sobre o desconhecido, e é a que vou me referir de imediato.

Talvez seja exagerado referir-me a isso como já o fiz, como uma ‘máquina de interpretar’[4]. Mas, a grande maioria do que chamamos ‘ficções’, desde o fantasma até o que designamos como estruturas clínicas e, ainda sendo mais radicais, o que chamamos a realidade, possuem essa estrutura de ficção, e são de alguma maneira interpretações.

J.-A. Miller faz uma afirmação que me basta para justificar meu primeiro ponto: “A debilidade [mental] consagra o corpo falante como tal ao delírio”.[5] Interpretemos… A debilidade mental consagra o corpo falante ao delírio, porque, para dizê-lo com o ultimíssimo Lacan, o falante é débil frente ao real. Necessita ficções para suportar o real; por isso e para isso delira.

Neste contexto, uma “máquina de interpretar” produz, entre outras coisas, delírios. Delírios interpretativos que, se falamos da paranoia, se fazem mais evidentes, porque há uma relação estreita entre interpretação e paranoia, o que faz Miller dizer, citando Lacan, que na análise há uma dinâmica paranoide, todo ato ou palavra se submete à intepretação. O que se diz e o que se faz, por parte de ambos partenaires, está sujeito à interpretação. Não somente o analista interpreta; de fato, o paciente não faz mais que interpretar, interpretar tudo, o que diz, o que se diz a ele, o que não se diz, o silêncio, os barulhos do analista, seus gestos… e esse “clima paranoide” deve ser administrado, ter um limite, uma borda, administração que fica por conta do analista, que é quem deve moderá-lo. Por isso, Lacan se refere à analise como uma “paranoia dirigida”.

Que sentido tem isso que me diz? Que quis me dizer com o que disse? Por que esse gesto, esse comentário, esse barulho atrás do divã? E, dando um passo além no clima paranoide interpretativo da análise, se poderia perguntar: “Me disse isso, mas o que quer?” O “o que quer?” atrás do “me disse” sugere que não sei; quer dizer, não tenho a certeza paranoide sobre a interpretação do Outro. E, não obstante, ainda que não possua essa certeza, deliro um pouco ao redor não somente de seu enunciado, o do analista, mas também de sua enunciação, quer dizer, acerca do que deseja aí.

Atrás desse clima interpretativo, através da bruma, desponta o desejo do Outro. E então, a análise como tal, estará encaminhada de boa maneira, com a máquina interpretativa a toda marcha, quer dizer, com a transferência instalada.

Se bem que nesta época ultramoderna da psicanálise lacaniana, muitos praticantes não têm tanto em conta que algo que se chama transferência deveria instalar-se… estão mais focados no sinthome, no escabelo, no parlêtre e demais conceitos. Entretanto, entre interpretação e transferência se joga quase tudo desde o mesmo começo de uma psicanálise. E deter-se na controvérsia entre Freud e Lacan a respeito, nunca é inútil. Interpretamos hoje – como sugeria Freud – uma vez instalada a transferência? Ou como indicava Lacan, interpretamos para que se instale a transferência?

Nada ilustra melhor essa maquinaria interpretativa que a resposta que se dá aos fenômenos intuitivos nas psicoses, sejam ordinárias ou extraordinárias. A maquinaria interpretativa se desdobra com brutalidade ou com elegância, mas sempre com eficácia frente ao abrupto da emergência de um real, por exemplo, de um fenômeno elementar, acompanhado de um estado de estupor e desconcerto. Tanto a psiquiatria clássica, a boa psiquiatria certamente, como a leitura freudiana, coloca essa resposta, o delírio interpretativo por exemplo, do lado da cura e não da enfermidade. Se entende muito bem que, por mais louca e delirante que seja essa interpretação, está s serviço de evitar algo pior.

“A debilidade [mental] consagra o corpo falante ao delírio”. A debilidade do mental, então, está na causa do delírio. O que chamamos “debilidade mental” excede a partição estrutural: neurose, psicose, perversão, e reúne um “para-todos” os falantes.

Se seguimos radicalmente esta indicação, então o termo “interpretação” ganha uma complexidade considerável. Não somente se aplica à prática do analista e do paciente, mas também tem uma utilidade, um uso comum – não ordinário, mas comum – quer dizer, está no registro de um “para todos”, como resposta ao abrupto do real. Frente a isso, o mental, segundo Lacan, é débil.

De fato, toda uma clínica pode se estruturar em função da presença ou ausência deste aparato interpretativo. A falta deste aparato é bem conhecida na clínica das psicoses. E não é necessário recorrer a casos extraordinários para compreender o padecimento insuportável que sucede por não contar com esse aparato interpretativo para afrontar a emergência do fora de sentido mais contundente do real.

No entanto, estas construções ficcionais não são privativas das psicoses. Desta perspectiva, inclusive nas neuroses – em última instância, a crença neurótica no pai que chamamos “neurose” – podem ser consideradas ficções desta índole.

J.-A. Miller estende ao extremo, mas com justiça, este argumento que lhes apresento, e que por certo não é desconhecido para vocês. Em Sutilezas analíticas, e no contexto de uma aula na qual explora e reformula as modalidades de análise, faz uma leitura provocativa do texto de Lacan “Prefácio à edição inglesa do Seminário 11”, que podem encontrar em Outros escritos. Diz, na página 119 de Sutilezas analíticas: “[…] o psíquico para Lacan é uma ficção, e o lógico é o real”, e agrega: “[…] uma psicanálise tem estrutura de ficção”.[6] Como desconhecer a estrutura de ficção de uma psicanálise? De entrada, Lacan sublinhou que o analista, em seu ato, era mestre da verdade. Indicou em “Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise” que, devido à pontuação que aportava – e aí a interpretação – e, sobretudo, pelo corte final da sessão – que somente responde a sua decisão e que é simplesmente outra versão extrema da interpretação mesma -, o analista faz variar a verdade.

Como poderão ver, desta frase se desprendem múltiplas consequências para a concepção que temos da interpretação. Lacan não compartilhava a ideia freudiana de que o analista é um buscador da verdade; melhor, acreditava que se encontrava com ela. O interessante, o essencial, é que, segundo uma definição contundente, com a interpretação se trata de “fazer variar a verdade”. Com esta perspectiva, toda nossa concepção do inconsciente e do ponto de mira, do alvo da interpretação e seus efeitos, muda com essa “variação”.

Retomemos: a psicanálise tem estrutura de ficção. Isso ressoa com a ideia de que a psicanálise é uma paranoia… dirigida. Também conecta com o que quero assinalar sobre a máquina de interpretar na qual estamos imersos, não só como analistas e analisantes, mas também como seres falantes. Débeis frente ao real, requerem-se ficções para suportá-lo, ficções estas que nos consagra essa debilidade.

J.-A. Miller o assinala no mesmo parágrafo, ainda que de uma maneira distinta e com uma formulação contundente. Após assinalar que a psicanálise tem uma estrutura de ficção, afirma: “Se o real é o gozo, o inconsciente é uma defesa contra o gozo […]”.[7]

Se o real fosse o gozo, então o inconsciente seria uma defesa contra o gozo… o inconsciente mesmo como uma defesa do real. E como pode o inconsciente defender do real? Interpretando! Porque o inconsciente não faz mais que interpretar. Claro que, com essa interpretação, também goza; mas essa é outra perspectiva que abordarei mais adiante.

Tampouco é minha intenção adentrarmos hoje nos labirintos do conceito de defesa. Não desejo levá-los por esse caminho. Contudo, o inconsciente é esse saber articulado que funciona como defesa contra o real. De que maneira? Cifrando, cifrando aquilo que, do real, apresenta-se como fora de sentido e, claro, como gozo fora do sentido. Esse cifrado é o esforço de poesia do inconsciente. Assim, a interpretação se encontra tanto do lado do deciframento como do ciframento…, mas então, qual interpretação?

O inconsciente se constrói como saber, como uma elucubração de saber. O inconsciente mesmo se constrói com interpretações. Interpretações de que? De que, senão do fora de sentido, da opacidade do real?

Pensem no trauma: o trauma como irrupção de uma quantidade de libido que, segundo Freud, “o aparato psíquico” não pode processar. Essa quantidade se processa por sua ligação com as representações. Ditas representações são as que devem outorgar sentido ao sem sentido provocado pela irrupção e pela efração que produz o trauma. A elucubração significante, a que chamamos “elaboração”, permite ligar essa efração a novas representações quando os sentidos tenham caducado. Desde Freud, o trabalho de elaboração tem sido o meio decisivo de atravessar, ou melhor dizendo, de elaborar um trauma.

O que quero destacar destas breves passagens de Sutilezas analíticas, são as consequências que tem para nós localizar que, na prática, estamos entre real e ficção. E, frente ao real, não fazemos outra coisa que interpretar! Talvez esteja exagerando, mas analistas, analisantes e até o vizinho da esquina, para mencionar o homem comum, interpretamos. Seguramente percebem que se perfila um “para todos”. Um “todos” intérpretes frente ao real.

Em Vincennes, Lacan toma Freud como guia mais uma vez para deixar-nos uma indicação inquietante e chave para o tema da interpretação: “Freud […] considerou que nada é apenas sonho, e que todo mundo (se tal expressão pode ser dita), todo mundo, é louco, ou seja, delirante”.[8]

Desde Calderón de la Barca e sua La vida es sueño, expõe-se como aquele prisioneiro isolado desde sempre constrói todo um mundo. Finaliza-se com aquela frase que tem feito seu curso na cultura hispânica, e que culmina com uma conclusão inquietante: “Toda a vida é sonho e os sonhos, sonhos são”.

Ou, para citar o outro extremo em termos de épocas e geografias culturais, tomemos a Zhuang Tzu. Lacan refere-se a ele em seu Seminário para mencionar aquele paradoxo que se apresenta ao imperador chinês. Depois de despertar-se desconcertado após uma noite na qual sonhou que era uma borboleta revoando com despreocupada facilidade, pergunta-se, devido ao vívido desse sonho, se era Zhuang Tzu quem sonhou que era uma borboleta, ou se era uma borboleta sonhando que era Zhuang Tzu.

Todo mundo é louco, quer dizer, delirante. Quer dizer, já que falamos da interpretação, que todo mundo interpreta.

Consideremos, por exemplo, a relação entre a experiência de perplexidade e o delírio. Há a experiência de perplexidade frente a um signo do real e há a interpretação. Quer dizer que há um movimento, uma articulação entre o que faz signo, e deixa perplexo, e o S2, significante do delírio.

Essa articulação é a máquina interpretativa a que me referi figurativamente. E, em contraposição a isso, temos a interpretação analítica. E o que essa interpretação analítica faz é reduzir, devastar, enfraquecer, desinflar, reduzir ao essencial, o delírio ou a ficção.

Não se trata de alimentar o delírio, nem de fomentar a ficção da interpretação neurótica. Tanto para esta última como para o delírio psicótico, o objetivo é o mesmo: reduzir, devastar, debilitar, reduzir ao essencial e desinflar a ficção. Busca-se fazer variar a verdade até chegar a um ponto de significação vazia, com o qual podemos nos arranjar de uma forma diferente.

Ainda que com a interpretação analítica seguimos o que Freud ensinou, ao vincular a opacidade do sintoma neurótico ao sentido edípico, não é menos certo que podemos colocar o ato do analista, sua interpretação, do lado completamente oposto; quer dizer, do lado do “signo”, do que produz perplexidade, justamente para perturbar a ficção que sustenta o discurso do analisante. Um gesto enigmático, um som, uma interjeição, uma frase que não se entende bem, enigmática, ou inclusive um corte da sessão em meio a uma frase; são todas ações que levamos a cabo quando interpretamos. E somos plenamente conscientes que estas ações colocam em movimento, do lado do analisante, sua própria interpretação e, posteriormente, a do inconsciente, seguindo o esquema previamente mencionado.

Então, qual interpretação? De que lado a colocamos: do lado do signo ou do lado da ficção? Vou dizer que fazemos um e outro, segundo a decisão e prudência de cada um. “Intérprete do que me é apresentado, eu decido sobre meu oráculo”, diz Lacan; e posso então interpretar de uma maneira ou de outra, segundo o que exija o momento.

Vê-se em nossa prática atual que, embora a interpretação se encontre do lado do analista, que interpreta, quem interpreta, também consideramos fundamental que a interpretação fique do lado do analisante… portanto, quero enfatizar que o termo “interpretação” já não engloba todos os significados e os usos que lhe damos. Não somente a interpretação não está aberta a todos os sentidos, mas também que a interpretação, a analítica, vai contra essa produção interpretativa. Isso se aplica tanto à inicial, aquela que faz acontecimento de corpo, como àquela que se mantém de maneira constante e que chamamos “fantasma”.

 

3.Interpretar / Analisar “o inconsciente é a política”

Poderia ter intitulado esta intervenção simplesmente “A interpretação analítica”, e evitaria todo este primeiro desenvolvimento. No entanto, ao fazê-lo, teria omitido um aspecto que creio fundamental. Por outro lado, seria um problema – e é agora que o abordo – tentar definir qual seria a particularidade da interpretação que consideramos “analítica”. E um dos problemas é como transmitir aquilo com que cada um de nós se enfrenta cada dia em sua prática, sem ter a pretensão de oferecer hoje um manual de instruções. Uma vez descartada essa pretensão, como se aproximar ao que seria a interpretação analítica?

Talvez um ponto de partida resida na advertência de que a interpretação não se pode ensinar, nem transmitir, e muito menos copiar das que temos recebido. Ainda que a imitação do analista que tivemos ou temos, ou daqueles com quem supervisionamos, sejam obstáculos compreensíveis do laço transferencial que, como praticantes, mantemos, e na qual supostamente se encontra um apoio para a incerteza do ato.

Começo então por perguntar-me e perguntar-lhes se pensam que interpretar é o mesmo que analisar. Poderia ser uma resposta óbvia à primeira vista, mas há algo nessa diferença que não é tão óbvio. Creio que, na diferença entre analisar e interpretar, nessa articulação que as diferencia, reside toda a subversão freudiana. E isso começa com a Traumadeutung, quer dizer, com a interpretação dos sonhos que, em um certo sentido, e seguindo a visão com a que o próprio Freud sonhava, mudou o mundo.

No Exórdio, uma espécie de epígrafe que se encontra logo antes de começar “A interpretação dos sonhos”, Freud cita Dante dando, assim, intencionalidade e orientação a seu descobrimento, invenção e prática incipiente: extraído por Dante de La Eneida, escreve ali em latim “Flectere si nequeo superos, Acheronte movebo” (“Já que não posso mover as potências superiores, vou mover as potências de baixo, vou mover as potências infernais”). Já para esse Freud inicial, tratava-se de movebo, de mover algo “do mundo subterrâneo”.

E numa carta na qual responde um comentarista, explica porque essa epígrafe: “O desejo rejeitado pelas instâncias mentais superiores (o desejo onírico reprimido) remove o mundo mental subterrâneo (o inconsciente) para ser escutado”. Não se trata somente de analisar, mas sim de “mover”, deslocar, e, seguindo o final da frase, “fazer escutar”.

A interpretação, ao menos a interpretação analítica, inclui a aspiração de introduzir um movimento no mundo subjetivo. Por isso, pode-se dizer que a interpretação é política.

Enquanto “analisar” não é necessariamente uma política, ainda que possa servir a alguma, “interpretar” é claramente uma ação política. É interessante ler, desta maneira, a indicação lacaniana de que o inconsciente é a política, à condição de se dar conta de que o inconsciente é a política porque o inconsciente interpreta.

Podemos examinar isso por duas perspectivas: por um lado, temos a direção da cura, que supõe uma tática, uma estratégia e uma política. Por outro, a estrutura mesma da interpretação e o que consideremos sua eficácia. Deve haver eficácia, por que, se não houvesse, para que interpretar? Sua eficácia será correlativa a sua capacidade de tocar algo do real, a menos que consideremos a psicanálise como uma literatura. Assim é como se a considera atualmente: como uma literatura antiga… enfim.

O escrito de Lacan “A direção da cura e os princípios de seu poder” tem um título eminentemente político: a direção da cura, mas também: os princípios de seu poder. Vocês sabem que, nesse escrito que não perdeu atualidade, a interpretação é da ordem da tática. É a ordem dos movimentos rápidos, das intervenções conjunturais em tempo presente com um objetivo próximo. É da ordem da caça, de capturar a presa, de mover as peças na direção de um objetivo que, quase sempre, tanto para o analista como para o analisante, desconhece-se de antemão. Ainda assim, contamos com o que gostamos de chamar, com algo de poesia e muito de ingenuidade, um horizonte ético ao qual nos dirigimos, ou uma orientação. Com isso enchemos a boca e nos tranquilizamos, ainda que não saibamos muitas vezes o que isso quer dizer.

Em todo caso, não é uma tática ao vento, é uma tática porque existe a estratégia da transferência e isso se marca numa política da cura. A interpretação é o presente; é agora, é já! E se nos descuidamos, a oportunidade passa. Como estamos seguros de que não meteremos os pés pelas mãos? Não podemos estar seguros, como tampouco podemos “preparar” uma interpretação (como se dissesse: “então, na próxima sessão vou lhe dizer que…”). Isso sempre tem um efeito de forçamento e com resultados questionáveis. Na prática da psicanálise, o cálculo da interpretação é inexato e se está sempre com os pés enfiados na lama. Estamos sempre em risco de nos equivocar-nos, de dizer o que não era apropriado, de não dizer o que justo era o que havia que dizer… de querer compreender demasiado rápido. Lacan adverte aos jovens psiquiatras e psicanalistas que o escutavam em seu inicial Seminário 3: “Comecem por não crer que vocês compreendem. Partam da ideia do mal-entendido fundamental. Aí está um disposição primeira, na falta da qual não há verdadeiramente nenhuma razão para que vocês não compreenda tudo e não importa o quê.”[9] E será o momento em que terão deixado passar a interpretação que havia que se fazer.

Mas, então não temos nenhuma referência para nos orientarmos? Fazemos o que fazemos e dizemos o que dizemos assim, ao acaso? A experiência analítica não tem um marco que a regule e que permita situar nossa interpretação ali? Pois sim, tem. Em um extremo da experiência analítica temos a interpretação e, no outro extremo, temos o sintoma. Recordo-lhes a frase do Seminário 11: “O recalcado primordial é um significante, e o que se edifica por cima para constituir o sintoma, podemos considerá-lo como um andaime de significantes. […] Na outra extremidade, há a interpretação […] A interpretação aponta o desejo, ao qual, em outro sentido, ela é idêntica. […] No intervalo, a sexualidade”.[10] A interpretação, o sintoma, o desejo, o andaime significante, a sexualidade, disso está feita a experiência analítica, e nossa interpretação ocupa um dos extremos.

Sabemos, desde Freud, e cada um espera poder reproduzir em algum momento de sua prática essa operação, que a interpretação tem a oportunidade de produzir que um sentido se desvie, que uma fixação mortificante se dilua, que um véu se levante, que se desarticule um nó de gozo e sentido, e que algo se escreva novamente; enfim, que algo do corpo seja tocado. Isso demonstra seu valor de instrumento político, já que é o meio pelo qual um discurso incide nos corpos. E vocês sabem que este enfoque tem uma atualidade incontestável. Se estamos imersos nesta ordem política, que é a direção da cura mesma, não podemos falar da interpretação sem situar “os princípios de seu poder”. Lacan o fez energicamente para questionar a psicanálise de seu tempo. Pensava que devia questionar a intrusão, não só do discurso universitário, mas também em especial do discurso do mestre na psicanálise de sua época, devido às consequências que isso teria na experiência da psicanálise, na posição dos analistas e, certamente, na prática da interpretação que se encarnava no analista como mestre.

Mencionei como o discurso do mestre se infiltrava na prática e na experiência da psicanálise…, no entanto, parece que isso não afeta a nós, lacanianos hipermodernos. Estamos advertidos de tantas coisas e damos muitas por resolvidas, confiando que Lacan e Miller já tenham situado o problema. Mas, às vezes, esquecemos que isso pode se infiltrar em nossa prática e nem sequer consideramos formular-nos perguntas como: quem é o mestre? Quem é o mestre desta psicanálise que supostamente eu conduzo? E, quando se fala da direção da cura, da transferência e, claro, da interpretação, como evitar a pergunta de quem é o mestre? E se se evita a resposta, o mestre do jogo aparecerá em algum momento de maneira inesperada… e então, pediremos uma supervisão de urgência.

Como mencionei em outra oportunidade, isso aparece no diálogo que Miller cita em seu curso.[11]

“A questão é – disse Alice ao famoso ovo Humpty-Dumpty -, se você pode fazer que as palavras signifiquem tantas coisas distintas.

A questão é – responde Humpty-Dumpty – saber quem é o mestre aqui. Isso é tudo.”

Qual é, então, a questão para o analista? Ser capaz de que as palavras signifiquem tantas coisas distintas, como quer Alice, ou a questão é saber quem é o mestre?

Humpty-Dumpty é um maestro da arbitrariedade: “Quando eu emprego uma palavra, essa palavra significa exatamente o que eu decidi que significa… nem mais, nem menos”.

O que Humpty-Dumpty diz à Alice, e que às vezes uma análise nos permite localizar, é que a questão não é saber que as palavras signifiquem muitas coisas distintas; o que lhe aponta é que há um significante mestre que decide sobre as palavras, as coisas e o corpo na vida daquele que nos fala, e que decide sobre suas significações múltiplas e intermináveis. E sabemos a importância que tem numa análise encontrar um significante que seja uma chave de leitura e os efeitos que isso tem para o analisante.

Então, qual interpretação? O problema se desloca do “qual” à palavra mesma, “interpretação”, porque a usamos para nossos fins e não podemos prescindir dela. No entanto, devemos reconhecer que é uma palavra que abarca campos extensos e distantes da psicanálise mesma: quem toca um instrumento musical “interpreta” uma obra, por exemplo. Um ator ou uma atriz “interpretam” um papel que está escrito em alguma parte. Um compositor e diretor de orquestra muito próximo, meu irmão, para nomeá-lo, explicava-me a importância que tinha justamente “interpretar” o que o compositor esperava que fosse lido em sua partitura, quer dizer, no que havia alguma vez escrito. Essa interpretação, embora queira ser fiel a isso, tem sempre algo daquilo que a interpreta. Está a obra, por assim dizer, e está a interpretação que lhe agrega algo a cada vez que se a executa.

Está o fato e está a interpretação. J.-A. Miller faz valer este argumento para a psicanálise mesma. Está a psicanálise e estão suas interpretações.

Há uns anos, dei um seminário sobre a interpretação em São Paulo. Na noite anterior, levaram-me a escutar música clássica num charmoso teatro, a Sala São Paulo. Enquanto escutava um concerto de Rajmáninov, seguia pensando no que teria que dizer no dia seguinte. E, como o contexto me sugeria, ao escutar o primeiro violino num solo espetacular, perguntei-me: por que usamos a mesma palavra para dizer coisas tão distintas como o que fazemos numa análise e o que, com arte, esse violinista fazia ao fazer soar essas cordas da maneira que eu o escutava nesse momento?

Pensei que esse momento poderia encontrar uma vinculação que fosse além da maestria, do savoir-faire com um e outro instrumento. Finalmente, encontrei uma forma de dizê-lo que me satisfez.

Em poucas palavras, o executante de um instrumento musical, com maior ou menor maestria, faz o mesmo que o analista: faz escutar o que está escrito. Considero que “fazer escutar o que está escrito” é uma boa fórmula para a interpretação analítica. No entanto, é essencial acrescentar que, em ambos os casos, o corpo está concernido mais além das palavras.

 

4 . Então… não só palavras

Há muitos anos, uma famosa canção italiana, uma melodia de amor muito popular, dizia: “Paroles, paroles, paroles…”, “palavras, palavras, palavras, palavras tão só palavras há entre os dois”.

Poder-se-ia dizer que isso é o que ocorre entre o analisante e o analista: tão só palavras. E, embora seguindo esta linha que exploro com vocês ao falar da interpretação, é preciso enfatizar, conforme a firme indicação de Humpty-Dumpty, que analisar, analisar-se e interpretar não são meros jogos de palavras. O “primeiro lacanismo”, se se pode chamar assim a esse enfoque que prosperou, ao menos na Argentina, fez do jogo de palavras o alfa e o ômega da interpretação e da análise, fruto de sua própria desorientação. Esta perspectiva prevaleceu até que J.-A. Miller desembarcou com “o outro Lacan” em meados dos anos 80, o que permitiu abrir um campo novo para a análise, para os analistas que estávamos nos formando e, com certeza, para a interpretação, que vai mais além do jogo de palavras.

Ao largo de seu ensino, Lacan formula diferentes maneiras de pensar a estrutura básica da interpretação e, ainda que não o faça de maneira explícita, isso se pode ler em múltiplos desenvolvimentos. E, em todos estes desenvolvimentos, pode-se perceber o esforço de redução. Isso não é um ponto de chegada na concepção lacaniana da interpretação. Estava já em “Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise”, quando diz: “[…]até o suspiro de um silencio [tomado] por todo o desenvolvimento lírico que ele vem suprir.”[12]

Ao final, tão ao final como numa de suas “conversas” do ano de 1971 no Hospital Sainte-Anne, a qual está publicada num pequeno livro que conhecemos como Estou falando com as paredes, a primeira dessas “conversas” chama-se “Saber, ignorância, verdade e gozo”.

Pensando na interpretação analítica, tomemos o primeiro termo: o saber. “O saber não-sabido de que se trata na psicanálise é um saber que efetivamente se articula, que é estruturado como uma linguagem […]”.[13]

Um saber que não se sabe para si mesmo e que se chama o inconsciente. E já se sabe que quando se trata da articulação do inconsciente, sabe-se que não se trata ali de um mero jogo de palavras. A “primazia do saber em psicanálise” é um primeiro ponto para situar essa “estrutura da interpretação”, a qual quero apresentar-lhes tomando o Lacan de Estou falando com as paredes.

No segundo ponto, Lacan já vai de cheio ao nosso tema: “O segundo, vocês não esperaram por mim para sabê-lo – dirijo-me aos psicanalistas pois ele é o próprio princípio do que vocês fazem, a partir do momento em que interpretam”.[14] Não se entusiasmem, não vai nos dizer como interpretar! Mas sim, vai apontar o “princípio” que guia a interpretação que se queira analítica.

“Não há uma só interpretação que não diga respeito – no que vocês escutam – ao laço que se manifesta entre a palavra e o gozo. Pode ser que vocês o façam de maneira inocente, sem que nunca tenham se dado conta de que nunca uma interpretação quer dizer outra coisa, mas enfim, uma interpretação analítica é sempre isso. O benefício, seja primário ou secundário, é um benefício do gozo”.[15]

Podemos ser inocentes, como Alice, e pensar que se trata de um jogo de palavras, ou que a transferência que sustenta o laço analítico refere-se somente a palavras, como a canção que alude à decepção amorosa. Todavia, o que encontrarão é que o que dizem refere-se ao laço que há entre as palavras e o gozo. Algumas coisas, tanto no amor como na análise, melhor sabê-las logo.

Então, para retomar Humpty-Dumpty, e contradizer sua arbitrariedade, o mestre a que ele se refere é o gozo.

Lacan diz que o laço entre palavras e gozo não apareceu em Freud de imediato, porque diz que houve em Freud uma época do princípio do prazer e, então, o que imperava era o prazer do sentido. Podemos explicar o caminho mais classicamente freudiano de uma psicanálise dizendo que vai: da ignorância de um saber que não se sabe e faz sintoma, à verdade que a interpretação revela e que é a chave ética e curativa freudiana, e um saber como saldo. A interpretação desvelava a verdade do conflito edípico ou o fato traumático ignorado à causa da repetição (sou muito clássico, mas só sigo ao modo em que Lacan o expõe em Estou falando com as paredes), e obtinha-se um saber como saldo que permitia uma restituição das relações do sujeito com a “realidade”.

Claro, continua Lacan, um dia Freud mesmo foi surpreendido, mais além do sentido deste programa, por outra coisa: a repetição. A insistência de um benefício de gozo, que comanda a repetição.

O laço entre as palavras e o gozo que diz respeito à interpretação manifesta-se na repetição. E podemos nos perguntar – inocentemente se assim desejam: se não houvesse repetição, como interpretar? Às vezes, ainda que o analista possa captar um nó de gozo sentido no discurso analisante, só a repetição permite interpretá-lo. Insistência da repetição, mas também instante, oportunidade da interpretação. Freud descobre na repetição o mais além do princípio do prazer, quer dizer, o gozo.

E ali Lacan formula seu terceiro ponto para esta “estrutura da interpretação”, que formulo para nossos fins. “Se nossa interpretação nunca tem senão o sentido de fazer notar o que o sujeito encontra aí, o que é que ele encontra? Nada que não deva ser catalogado no registro do gozo.”[16]

Então, já que temos localizado que a interpretação analítica diz respeito ao laço entre a palavra e o gozo, extraio agora da primeira parte deste parágrafo uma indicação maior de Lacan a respeito da interpretação analítica. Leiamos com cuidado: “Se nossa interpretação nunca tem senão o sentido de fazer notar o que o sujeito encontra”. Não veem ali o princípio reduzido do que Lacan pensa da interpretação analítica? Refiro-me a seu sentido, não a seu significado. O sentido implica direção: é fazer notar o que o sujeito encontra.

Ah! É fantástico como é capaz quase de dizer tudo em uma pequena frase, como de passagem.

Fazer notar. Interpretar é fazer notar. Que simplicidade! E para isso, tanta teoria! E sim, tanta teoria. Mas também tanta prática.

Passo, então, à segunda parte da frase: “[…] fazer notar o que o sujeito encontra”. (Mas, o que encontra? Repetição). Essa é a outra indicação maior para o praticante, em especial, é uma indicação contra a ferocidade do praticante, à qual muitas vezes vem a substituir a ferocidade curativa. Quero dizer que, quando na prática se passa da ferocidade curativa, seja porque tenham tropeçado com o impossível nas curas que conduzem, ou porque em sua própria análise tenham se encontrado com o impossível de curar, muitas vezes se escuta nas supervisões essa nova ferocidade de converter-se em buscadores da verdade, detetives do mistério do sofrimento sintomático. E Lacan nos indica que se trata de que o sujeito analisante encontre, e que vocês “façam notar”. Façam notar o quê? Que nesse nó de palavras e atos há uma repetição de gozo. Isso implica já uma certa destituição do analista mestre do saber e da verdade, não é certo?

Fica ainda o quarto ponto de Lacan em Estou falando com as paredes, referido à interpretação, ao menos nestas três pequenas páginas que comento. Qual é o quarto ponto? Já que apontou que se trata do gozo, pergunta-se à continuação: “Onde é que isso habita, o gozo? Do que ele precisa? De um corpo.”

Busca situar o ground, o solo, o real onde se amarram, onde se encarnam os discursos; neste caso, a interpretação deve tocar o corpo. Fica claro, então, porque mencionei há pouco que nem a análise, nem a interpretação são somente um jogo de palavras. Em relação à interpretação, ao falar de ressonâncias, indica-se esta borda onde se entrelaçam um saber não sabido, mas articulado – o inconsciente – as palavras, os gozos e os corpos.

Quando alguém se analisa, não fala às paredes; isso é o que alguém supõe quando associa livremente para cumprir a regra enunciada pelo analista, em cuja presença fala. Supõe-se que fala ao Outro, esse Outro que vocês, analistas, supõem que são na transferência. E é sobre esse dizer, feito de palavras e atos, que vocês interpretam.

No entanto, uma análise levada até o final circunscreve o discurso de tal maneira que, como Lacan disse em Saint-Anne, falar com as paredes é seguir, não suas palavras, mas sim o circuito da reflexão de sua voz. Ao final, o analista bem poderia ser esse muro, essas paredes que contém o espaço onde o mais singular do analisante tem a oportunidade de ressoar.

 

Para terminar

Para concluir, recordemos que “todo mundo é louco, ou seja, é delirante”. “Delirar”, quer dizer, “interpretar”, qualifica o termo “loucura”. Poderíamos afirmar que a loucura é sua interpretação. Para todos há “a loucura”, mas essa loucura é singular, quer dizer, de cada um. Que a faz singular? A singularidade da loucura de cada um radica, em princípio, no efeito único do encontro inaugural do qual emerge o sinthome, e sua interpretação. Isso redefine certas perspectivas e afeta a interpretação analítica, porque é claro que na análise se trata de alcançar com a interpretação aquilo que responde do sintoma (que é como Lacan chama o inconsciente no seminário “RSI”).[17] Mas há também o que não responde do sintoma. Isso que assimilamos ao conceito de “acontecimento de corpo”, ou, para ser mais conceitual: ao Um sozinho, como analisá-lo?

Essa loucura de cada um, além do acontecimento de corpo, está feita do que cada um leu do encontro com o real que lhe tocou, e do sentido e do gozo que há extraído disso.

 

Tradução: Valéria Beatriz Araujo
[1] Conferência pronunciada em La Plata,  em 2019, a propósito do encerramento do curso SCF.
[2] Tarrab, Mauricio. “Qué interpretación”. In: El decir y lo real. Hacer escuchar lo que esta escrito. 1ª ed. – Olivos: Grama ediciones, 2024.
[3] Carver, R. Principiantes. Barcelona: Anagrama, 2010.
[4] Tarrab, Mauricio. Las psicoses y la máquina de interpretar. Em: El decir y lo real, op. cit.
[5] Miller, J.-A. El inconsciente y el cuerpo hablante, in: Lo real puesto al día, en el siglo XXI. Buenos Aires: Grama ediciones, 2014, p. 330.
[6] Miller, J.-A., Sutilezas analíticas. Buenos Aires: Paidós, 2011, p. 119.
[7] Miller, op.cit., p. 119.
[8] Lacan, J. Tranferência para Saint Denis? Lacan a favor de Vincennes. Correio. Revista da Escola Brasileira de Psicanálise, nº 65. São Paulo: EBP, 2010, p. 31.
[9] Lacan, J. O seminário, livro 3, as psicoses. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008, p. 31.
[10] Lacan, J. O Seminário, livro 11, os quatro conceitos fundamentais de psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996, p.167.
[11] Miller, J.-A. Los usos del lapso. Buenos Aires: Paidós, 2007.
[12] Lacan, J. Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise. Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998, p. 253.
[13] Lacan, J. Estou falando com as paredes, p. 23.
[14] Lacan, J. Ibid., p. 26.
[15] Ibid., p. 31.
[16] Lacan, J. Ibid., p. 28. NT.: em francês lê-se faire remarquer. Na versão em português usada aqui está traduzido como assinalar. Como no texto o autor dá destaque ao termo fazer notar, decidimos alterar ligeiramente a tradução para dar mais coerência ao texto.
[17] Lacan, J. Seminário 21, RSI, classe de 10/12/74. Inédito.

CENTRO SUL
Av. Gov. Gustavo Richard, 850 – Centro
Florianópolis – SC, 88010-290, Brasil